terça-feira, 7 de setembro de 2010

[Norwegian Wood] - As críticas


As primeiras reacções ao filme Norwegian Wood, exibido pela primeira vez dia 1 de Setembro, não foram animadoras. Nesta primeira sessão o filme foi apenas visto por jornalistas, o que nos fez acreditar que talvez no dia seguinte as notícias fossem um pouco melhores. Segundo estes jornalistas, o filme era bom, destacando a realização e a fotografia, mas consideravam-no grande de mais. Os jornalistas consideravam que o realizador se perdera um pouco, dando voltas desnecessárias na história. Alguns chegaram a referir-se ao filme como uma “desilusão”.

Começaram depois a chegar opiniões de comentadores, colunistas e outros que parecem achar este filme, não digo fantástico, mas muito bom. Tal como os jornalistas, referem o efeito visual do filme, as paisagens e a realização do vietnamita Anh Hung Tran. Mas juntam às suas críticas comentários que mostram que se deixaram envolver pela história. Nigel Andrews, colunista do Financial Times afirma que este festival já teve vários dias maus, referindo-se a estes dias como “buracos negros”, mas diz que “nos dias mais felizes esquecemo-nos completamente deste buraco. A mostra de cinema entrega-nos os bons, como quase sempre faz, e podemos experienciar filmes como o japonês Norwegian Wood ou o russo Silent Souls.” Para este cronista, estes são os seus dois filmes de eleição.

Mas numa competição de cinema, a opinião máxima é a dos críticos, convidados ou não. E neste caso, a sua opinião, no geral, não agrada. No passado domingo, 5 de Setembro, 21 críticos classificaram na revista Variety, de 0 a 10, 9 das várias longas metragens apresentadas no festival. Nesta avaliação não-oficial, ficou em primeiro lugar uma comédia italiana que muitos comentadores consideram má. Ao filme Norwegian Wood foi atribuída a nota de 5.9, ficando posicionado em 7º lugar, o penúltimo, pois dois dos filmes empataram no 2º lugar.

Não sou capaz de me conter neste ponto sem intervir. Ninguém espera que num festival de cinema surja um filme imediato ou um grande sucesso comercial, muito menos sendo um filme asiático. Tenho a certeza que os critérios dos críticos são melhores que os meus, além de que eu ainda não vi o filme e tudo o que me move é a paixão pela obra de Haruki Murakami. Mas gosto bastante de filmes estrangeiros e até agora já vi uns quantos asiáticos. Chineses, japoneses, coreanos. Todos têm uma coisa em comum: são filmes calmos. Muitos poderiam dizer parados, mas eu considero-os apenas calmos. Dão-nos tempo para entender a história e ao mesmo tempo para nos deixarmos envolver.

Para além disto, trata-se de uma adaptação do romance de Haruki Murakami. O realizador do filme, Anh Hung Tran, declarou que a filmagem contou várias vezes com a presença de Murakami e que este também deu as suas opiniões, deixando sempre espaço para a criatividade do realizador. Anh Hung Tran disse ainda que procurou transpor toda a emoção do livro para o filme e tenho a certeza que na altura em que este filme chegar às mãos dos fãs de Murakami, ainda lhe vão agradecer por o ter feito.

4 comentários:

Nico Andrade disse...

Ola Marta e Tiago,

Sou grande entusiasta de Murakami, tenho um vínculo quase existencial com algumas obras deste autor - em especial Kafka à beira-mar, livro que me valeu 1.000 consultas de psicanálise!

E agora tornei-me leitor assíduo de seu blog.

Mando um abraço do Brasil, onde infelizmente não conheço outros apreciadores deste autor.

XXX

Marta disse...

Olá Nico Andrade!

Por aqui também somos poucos mas tenho a certeza que há muitos apreciadores de Murakami por aí que ainda não conhecem o nosso blog.

Com certeza no Brasil acontece a mesma coisa. Essa foi uma das razões pela qual fizemos este blog. Para reunir aqueles que gostam.

Temos muito gosto em tê-lo por cá. Bem-vindo :)

Pereira disse...

Compreendo o teu entusiasmo e ansiedade em relação ao filme, mas acho que não devias levar muito a peito o facto dos críticos não o terem adorado. Se não gostaram, de certeza que não foi por ser pouco imediato,lento ou asiático, até porque eles estão mais do que habituados a isso,acredita...

Rodrigo disse...

Olá, Marta e Tiago

Estamos convidando pessoas que já comentaram sobre as obras de Haruki Murakami para participar da versão beta de um projeto acadêmico baseado no livro Kafka à Beira-mar. Trata-se de uma nova plataforma de compartilhamento de conteúdo digital na forma de "micro-narrativas". Caso tenham interesse, entrem com contato, ok?

Att,

Rodrigo Leles - rodrigoleles.com@gmail.com